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Contos - Enviado dia 11 de Agosto de 2009

Uma noite de terror!


 

Frank era um cara extremamente medroso. Tão medroso que mesmo aos quinze anos ainda pernoitava constantemente a contragosto, temendo que alguma alma do além viesse a puxar-lhe os pés.

Nunca havia visto ou presenciado nada sobrenatural, mas sua fobia era tamanha, que ele podia jurar que sentia uma real presença em seu quarto. Passava noites acordado, o simples caminhar de um gato, por sobre o seu forro, tornava-se uma experiência assustadora, um simples ruído era o bastante para instigar em Frank devaneios soturnos. Olhava para os lados agitado, suava frio.

Mas, apesar do medo, Frank sempre fora fascinado pelo desconhecido, varava noites em sites misteriosos, sites que continham temas estranhos e insólitos. O seu predileto era http://www.sobrenatual.org o melhor site direcionado ao tema. Lá ele buscava fotos, vídeos relatos e até mesmo contos fantasmagóricos. Tinha como autor predileto o escritor amador de contos: André Oliveira. Ficava fascinado com tudo aquilo, mesmo perecendo com  suas noites insones, ele  nutria uma curiosidade inexplicável pelo tema.

Certo dia encontrou uma estranha lenda urbana, a lenda tratava-se de uma carta onde três jovens relatavam uma espécie de experiência sobrenatural vivida por eles, um fato inquietante que sem dúvida deixou Frank muito impressionado: O Caso dos Irmãos Aragão. E Frank mesmo sendo um mero pusilânime (palavra difícil; não posso simplesmente dizer cagão) resolveu dar uma de rebelde, e, desafiando seu medo e os avisos da carta, resolveu repetir em voz alta uma invocação, escrita em latim, contida na tal carta. 

Após este adventício de coragem, Frank pôde retornar a sua covarde realidade, foi quando sua janela abriu-se e o vento invadiu seu quarto. Sentiu um frio na espinha, sua nuca arrepiou-se, engoliu a seco, sentia o pomo de adão subir e descer lentamente conforme o líquido descia. Sentiu um medo tão grande que o deixou imóvel, seu corpo recusava-se mover, não queria se defender. Ficou calado. 

Não sabe quando tempo permaneceu assim. Só tomou consciência de seu pavor quando sua porta abriu-se peremptoriamente. Frank soltou um grito e caiu da cadeira de costas para o chão; já iria correr para baixo da mesa do computador quando escutou: 

- Filho! O que foi? Anda lendo aquelas coisa d’novo? Tu sabes que és medroso... Não sei por que insiste em ler essas coisas. Olha, vou sair com a Laura, não sei que horas irei voltar, portanto tome conta de casa e pare de ler estas besteiras, senão suas olheiras se tornarão crônicas, esquece os fantasmas e fica atento aos ladrões. Não esquece que almas dentro de corpos vivos são mais perigosas que as penadas. 

Dizendo isso seu pai retirou-se. Frank levantou-se e foi para a sala. 

Frank morava sozinho com seu pai, nunca conheceu a mãe, nem tinha curiosidade, acostumou-se ao amor paterno, este já lhe era de bom grado. Laura era a namorada de seu pai, era uma mulher linda, Frank a adorava, tinha certeza de que ela era a mulher perfeita para seu pai, mas naquela noite bem que seu pai poderia deixar Laura e ficar em casa.

Ouviu os passos de seu pai pelo corredor e mesmo a distância podia sentir a doce fragrância que se espalhava por toda a casa, seu pai havia se perfumado tanto que Frank já podia até imaginar Laura sentindo náuseas com aquele cheiro:

- Filho! Já vou. Não se esquece de colocar comida para o Obama, ele estava latindo feito louco quando fui até a cozinha.

- Pai, vai já começar o filme Tropa de Elite no tele cine, não quer ficar para assistir?

Seu pai sorriu, passou as mãos na cabeça do cachorro e olhou para Frank:

- Filho, deixa de ser medroso. Poxa! Você já fez quinze anos. Por que não esquece os fantasmas e da um orgulho pro seu pai... Arruma uma namorada.

Seu pai foi ate a gaveta pegou a chave do carro, em seguida foi em direção a Frank, fez-lhe um cafuné em sua cabeça, assanhando assim todo seu cabelo e disse:

- Tchau filho! Toma conta de casa, não esquece a ração do Obama.

Seu pai saiu, escorou a porta e logo depois Frank ouviu a porta automática da garagem se abrir, ouviu o carro de seu pai sair e logo em seguida a garagem fechar-se novamente. Pronto, agora estava sozinho, mergulhou em um silêncio tremendo, um silêncio quase que tangível.

Frank ouvia seu coração bater descompassadamente, sabia que havia mexido com forças muito além da sua compreensão, agora estava vulnerável ao demônio – por quê fez aquilo? Agora o demônio viria para lhe assolar...

Ligou a tevê e tentou acalmar-se, mas mal conseguia concentrar-se no que passava na tela, via constantemente, através da sua visão periférica, vultos passarem pelos cômodos da casa, estava apavorado, não conseguia mover-se do sofá, sabia que a qualquer momento aquela presença negativa viria lhe cobrar.

Frank escutou o som de pessoas conversando, seu coração saltou. Sentia seu coração bater com tanta violência que podia jurar que a qualquer momento ele sairia pela boca. Enfim encontrou as tais forças etéreas que ele tanto buscou. 

Segurava o controle da tevê com tanta força que sentia a ponta dos dedos adormecerem, suas pernas tremiam, sentia um calafrio na espinha.

E quando parecia que o terror já havia chegado ao limite, foi quando ele escutou um barulho, semelhante a uma explosão, após isto sua casa mergulhou na mais densa escuridão, não moveu-se do sofá, estava apavorado, tinha certeza de que a qualquer momento alguma coisa iria emergir das sombras e o tocaria, estava com a boca seca, queria gritar, mas quem ouviria? Ficou sentado em silêncio e imóvel.

Mergulhado naquele negrume inebriante, Frank se perdia em meio a devaneios soturnos, viajava no cenário do medo, tinha certeza que a criatura diabólica estava ali, bem próxima, alimentando-se de seu medo, regozijando-se em seu pavor. Mesmo estando mergulhado naquele desespero, mesmo sabendo que a qualquer momento seu mundo racional seria acometido, ele levantou-se: Precisava pegar a lanterna. Talvez aquela simples luz pudesse afastar aquela criatura hedionda dali.

Frank podia até antever que após aquela noite ele e seu pai teriam um longo trabalho, precisariam buscar exorcistas e médiuns para limpar a sujeira feita por ele, já imaginava as coisas sinistras que viriam a ocorrer em decorrência do seu ato impensado.

Ouviu algo respirar próximo a ele, encostou as costas no sofá, comprimiu seu corpo, colocou a face entre os joelhos e se encolheu, seu corpo trepidava, estava arfante. Permaneceu por um longo tempo assim, em seguida acalmou-se um pouco e resolveu ir em busca da tal lanterna. Levantou-se trepidante, e mesmo trôpego tentou tatear a sala em busca da lanterna.

Por fim encontrou a gaveta, abriu com dificuldade, suas mãos tremiam de forma incontrolável. Enfim encontrou a tal lanterna, mas quando tentou acende-la, sentiu um hálito quente próximo a seu corpo, sentiu que alguma coisa com pelos serpenteava suas pernas, algo peludo e de estrutura estranha,assustado jogou a lanterna longe. 

Frank apavorou-se e saiu correndo feito louco pela casa, a criatura parecia segui-lo, podia sentir seu hálito diabólico próximo a seu corpo, tentou correr para seu quarto, mas lembrou-se que lá que havia sido feito a invocação, então mesmo perdido, mesmo estando cego pela escuridão caminhou cambaleante e derrubando tudo o que havia pela frente, em direção ao quarto de seu pai. 

Correu e pulou sobre a cama e numa tentativa infantil de pejo, pegou as cobertas e sentado sobre a cama se cobriu da cabeça aos pés. 

Tremia, tentou orar, mas foi aí que escutou barulhos sinistros vindos da cozinha, algo como se alguém caminhasse. Já havia lido bastante sobre o tema, sabia se caso tentasse orar iria enfurecer o demônio, isso faria com que ele jogasse toda sua ira sobre ele. 

Sentiu que iria desmaiar, imaginou que a aquilo não era um desmaio comum e sim uma espécie de possessão, havia lido isto na carta do site. A criatura tentava apoderar-se  de sua consciência para somente assim poder dominar seu corpo.

Começou a ouvir barulhos de gravetos sendo quebrados no quintal ouvia o vento silvar na janela. Não conseguia orar, toda a vez que orava algo ruim acontecia. Sabia que quanto mais recorresse a Deus, mais enervaria tal criatura. Chorava, como  queria que seu pai estivesse ali para protegê-lo. Resolveu arriscar e tentou rezar o pai nosso, foi quando escutou um ranger na porta da sala, Obama latia incontidamente, sentia que agora o demônio estava enfurecido, aquele seria seu fim. 

Mas não poderia desistir assim, era um medroso, mas ao menos iria para o inferno com honra. Ouviu passos na cozinha, foi quando teve um lampejo, lembrou-se de que na gaveta ao lado da cama onde ele se encontrava, havia uma pistola, a pistola de seu pai; ele já havia ensinado Frank a usá-la então resolveu que este seria seu ultimo ato de defesa. 

Moveu-se na cama, abriu a gaveta e retirou a arma, levantou-se da cama destravou a pistola e em seguida conferiu: Estava carregada! Engatilhou e partiu em direção a sala. Era incrível, agora sentia-se mais corajoso, como era misteriosa aquela sensação, como uma simples arma podia se tornar uma espécie de segurança. 

Caminhou cegamente até a sala, havia jurado para si mesmo que qualquer movimento seria bloqueado por um tiro, caminhou até a sala, ainda estava mergulhada naquela imensidão escura, sentiu o sofá enfim estava próximo a porta, breve sairia daquele pesadelo terrivelmente real. 

Caminhou em direção a porta, e quando já tateava a maçaneta, ela simplesmente fugiu de suas mãos, a porta abriu-se e diante dele surgiu uma sombra, a criatura agora o impedia de sair de casa, ele mirou a arma e disparou um tiro certeiro na tal entidade. No átimo daquele disparo ele pode ouvir: 

- Frank!

A sombra havia caído, mas o estranho que o som daquele ser era semelhante ao som de um corpo humano caindo sobre o chão, podia jurar que aquela voz lhe era familiar.

Foi quando a luz finalmente retornou e Frank pôde notar o monstruoso cenário que ele havia construído: A sombra caída no chão nada mais era que seu próprio pai, a criatura fantasmagórica que havia passado em suas pernas nada mais era que seu próprio cachorro e aquela explosão que antecedeu a escuridão nada mais era que um simples carro desgovernado que era dirigido por um motorista bêbado e que atingira em cheio o poste da rua principal. Seu pai não havia entrado pela garagem, pois devido ela ser elétrica infelizmente ela não funcionava de forma manual. 

Incrível é que quando estamos apavorados, nossa mente cria figuras monstruosas o obvio não existe, a razão da vazão ao medo. Deixamos de pensar e passamos a agir por instinto. 

Agora Frank pôde perceber que tudo era real, o demônio estava ali... Era Frank! O jovem que sem motivos tirou a vida do próprio pai... Um pensamento lhe veio em mente: 

“Não esquece que almas dentro de corpos vivos são mais perigosas que as penadas.”

 



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André Oliveira

André Oliveira

Adoro escrever contos e narrar histórias contadas por meus avós. Acho fascinante o mundo sobrenatural. É incrível saber que mesmo com todos os avanços da ciência ainda há coisas que não podem ser explicadas.


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