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Lendas Urbanas - Enviado dia 29 de Junho de 2004

Na escuridão do Quartel


Esta é uma das histórias que aconteceram entre os anos de 1988-1989, enquanto eu servia o Exército em um quartel da cidade de São Paulo. Vou preferir omitir o nome dele para não existirem problemas maiores. Por ser, talvez, o aquartelamento com o prédio mais antigo de São Paulo e pelas várias funções que ele teve durante a sua existência, incluindo-se nesta lista um sanatório que no começo do século XX (pois a sua fundação antecede o início do referido século) recebia todos os sujeitos que estavam com doenças muito temidas e contagiosas como a Tuberculose e a Sífilis. É importante dizer que isto não era um ato de bondade como pode parecer, pois quando a pessoa era encaminhada para este lugar, era quase certeza que seu destino seria um cemitério próximo da propriedade, que foi construído pela bondade de uma senhora que cedeu o terreno onde ele se encontra até hoje. Esta boa alma agiu assim porque a vigilância sanitária da época proibia o retorno dos corpos das pessoas que morreram nestas circunstâncias para serem sepultados nos tradicionais cemitérios da capital. O antigo sanatório (e atual quartel), hoje, fica dentro da cidade, mas naqueles dias ele ficava fora dos limites dela e em uma área que era considerada afastada e isolada. Antes desta necrópole existir, eu nunca descobri qual foi o destino daqueles que ali faleceram. Neste cenário, é de se supor que muitas pessoas tiveram um infeliz destino depois que cruzaram os portões deste histórico prédio, selando assim os seus destinos. Eu mesmo, confesso, não fui testemunha de nenhuma das coisas que aconteceram por ali no período em que estive prestando o serviço militar e até acho que as “coisas ruins” me evitavam, mas para alguns dos meus amigos assim não foi. Um deles, que trabalhava na enfermaria, contou-me o que achei ser a história mais impressionante que ocorreu ali, em um dia que eu não estava de serviço no quartel. Nós éramos soldados da CCSv (Companhia de Comandos e Serviços) e o nosso alojamento ficava sobre a cozinha e o rancho dos soldados e sargentos. Para chegar até ele, subíamos uma escada de madeira bastante inclinada, sendo que o dito tinha um pé direito muito alto. Ele é (pois ainda existe) muito comprido, em torno de 40 metros de comprimento por 15 metros de largura e era dividido pelos armários em duas alas, sendo que nossos beliches ficavam no lado que é voltado para o interior do quartel. As janelas que deixavam entrar a luz do exterior eram grandes, mas ficavam em uma altura que era impossível de alcançá-las se você não subisse sobre os armários para isto, sendo que a única entrada e saída do local é a referida escada. Por causa da idade do prédio, os estalos nas estruturas de madeira que sustentavam o telhado eram comuns, bem como no piso feito de tábuas corridas, as quais encerávamos todas as semanas, mantendo á força o brilho que ele tinha. Normalmente existem aqueles que o exército chama de “plantões de alojamento”, que são três soldados que se alternam em turnos para vigiar tudo que pode acontecer dentro dele nas 24 horas do dia. Porém, nos turnos da noite é normal esses plantões dormirem, mesmo correndo o risco de serem pegos “dormindo em serviço” e foi isto que aconteceu naquela noite. O “plantão da hora” estava dormindo durante o “ocorrido”. Mesmo sem saberem da metade das histórias que eu descrevi neste texto, todos os soldados sabiam que as sombras do quartel tinham que ser evitadas durante a noite. O alojamento, depois que as luzes se apagavam, era um lugar um tanto tenebroso e dormir rápido, em geral, era a melhor solução para diminuir o incomodo de estar naquele local. A pouca luz que entrava pelas janelas durante a noite não ajudavam em nada o cenário, tornando-o mais assustador. Em geral, os plantões ficavam próximos da escada o tempo todo e mesmo com muitos soldados dormindo ali, evitavam de sair em rondas dentro dele para diminuírem o risco de verem “alguma coisa”. Este meu amigo estava dormindo lá junto com mais alguns poucos soldados quando os eventos começaram a acontecer. Já era tarde da noite e ele tinha demorado para pegar no sono. O sossego dele durou pouco pois a temperatura pareceu diminuir muito de uma hora para outra, incomodando-o. Por isso, começou a se mexer na cama e a acordar, pois já pensava em pegar um outro cobertor para continuar dormindo. Antes que ele tomasse essa atitude, foi assustado pelo barulho de algo caindo no chão, um som que parecia a de um corpo sem ossos batendo no chão. O susto foi suficiente para gelá-lo e paralisá-lo por alguns segundos. O barulho tinha sido muito alto e vindo da direção da porta. Por quê o plantão de alojamento não tinha tomado nenhuma atitude? Tomando coragem, ele olhou na direção da entrada e viu que o “vigia” estava dormindo. No entanto e apesar da luz que vinha da porta ser pouca, ele viu uma trilha marcada com um liquido que se parecia com sangue vir de lá e ir na direção do beliche que estava na frente dele, onde dois soldados dormiam. Quando ele olhou para o final da “trilha”, ainda teve tempo de ver o que pareceu as duas patas traseiras de um porco descadeirado se arrastando, por fim, para baixo do citado beliche e desaparecendo na escuridão que dominava o embaixo dele. O único movimento que ele tinha coragem de fazer era o da respiração. Não ousava fazer mais do que isto. Quando reparou, o soldado que dormia na parte de cima do beliche sob o qual o “porco” havia “se escondido” estava, talvez, com os olhos mais arregalados do que os dele. O soldado da parte da baixo, dormia profundamente. Fazendo um discreto movimento com a cabeça, como se perguntasse ao outro companheiro “E aí? Você viu?”, acabou recebendo uma resposta silenciosa e afirmativa, que em nada o tranqüilizou. E agora? Não era um pesadelo que ele estava tendo, coisa que seria preferível àquela situação. O que fazer? Passado um tempo razoável, nada mais aconteceu, mas a “coisa” ainda estava lá. Não a tinha visto sair, pois não desgrudará os olhos de onde ela entrará desde que ela assim o fez. Olhando de novo, percebeu que a “trilha de sangue” tinha sumido e que o companheiro do outro beliche ainda estava acordado. Percebendo que não tinha muita escolha e movido tanto pela curiosidade quanto pela necessidade de saber se aquele estranho evento tinha terminado, decidiu verificar o local onde aquela criatura se enfiará. Desceu devagar do beliche onde dormia sozinho e chegou no chão de madeira que estalou sob o seu peso. Gelado pelo susto, esperou um pouco. Criando mais coragem, começou a se abaixar. Quando os olhos dele alcançaram a altura da parte de baixo do outro dormitório, ele vislumbrou dois olhos vermelhos e brilhantes dominando a escuridão. Neste momento, um estranho som de porco que parecia afogado em um liquido viscoso veio dali e ele, apavorado e sem saber o que fazer, subiu mais do que rápido no beliche e se enrolou nos cobertores. Neste ínterim, ouviu uma movimentação de “joelhos(?)” batendo freneticamente no piso, sumindo à distância e indo na direção da porta do alojamento. Desta vez o meu amigo não quis saber de ver nada. Ficou enrolado no cobertor até ser vencido pelo cansaço e dormir um sono tenso que terminou com o toque da alvorada, que denunciou o rosto de um outro soldado tão tenso e cansado quanto ele no beliche logo em frente ao dele. Desceram da cama e o comentário foi breve e conclusivo: “O que era aquilo?”, “Não sei!” foi a resposta. O soldado que dormia na parte de baixo disse que não tinha visto e nem ouvido nada estranho durante a noite. Os “plantões” (segundo eles) ficaram acordados nos seus turnos e também não tinham visto e nem ouvido nada. Soube desta história algum tempo depois através do relato deste meu amigo e posso dizer até hoje que eu acredito nele, pois o mesmo sempre foi uma pessoa da minha extrema confiança naquele quartel e naqueles dias. Fora este estranho fato, outros envolvendo oficiais que estavam de plantão foram observados em outras noites de guarda e ficaram sem explicações razoáveis. O protagonista desta história ficou no exército depois da minha baixa e se ele ainda estiver por lá, acredito que hoje ele seja sargento. Eu saí de lá para tocar a minha vida sem nunca ter visto nada de estranho naquele antigo sanatório, mas nunca duvidei de que algo “estranho” ronda aqueles prédios.



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