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O Instituto de Guaratinguetá


Olá caro leitor, é um prazer escrever-lhe aqui. Bem, vamos direto ao assunto, moro em Guaratinguetá - SP, é uma cidade um tanto pequena, e toda cidade pequena tem uma lenda. Mas seria essa uma simples lenda? Não posso afirmar, mas as evidências indicam que não. Maria nasceu em 1866, aqui mesmo. Era filha de um Barão que tinha um grande casarão. Quando Maria fez 14 anos, seu pai já havia escolhido seu futuro marido, contra sua vontade. Aos 25 anos se casou e foi para São Paulo, mas tinha uma vida péssima, brigava muito com o marido. Em um certo dia de 1891, Maria em um momento de fúria decide vender todas suas jóias e foge para Guará, sua cidade natal. Mas não é bem recebida pela mãe que dizia ser inaceitável contrariar a vontade do pai. Ela se desespera e arruma dinheiro, compra então uma passagm para Paris onde é bem recebida pela alta sociedade, porém no mesmo ano sofre de uma terrível febre e morre. Sua mãe ficou inconsolada e decide construir uma pequena capela no Cemitério Municipal de Guaratinguetá, com os dizeres: "Eterno Amor Maternal". Na capelinha foi deixado seu corpo em um caixão de acrílico durante uma semana. Mas a mãe de Maria na época disse ter sonhado com a filha e ela havia lhe pedido para ser enterrada, dizendo que não era uma santa ou coisa parecida. Sua mãe então mandou enterrá-la. Até ai está tudo bem. Em 1942, a antiga casa do barão foi transformada em escola, mais conhecida como o Instituto de Guará. Desde então pessoas dizem ver uma mulher de cabelos ruivos andando pela escola e desaparecendo ao virar um corredor. A Dona Cecília Varza, uma querida moradora da cidade e madrinha de meu tio, trabalha no Instituto. Ela contou uma vez para mim que após o término do período noturno da escola ela estava inspecionando os corredores para ir embora, quando chegou no segundo andar me disse ter visto uma mulher de cabelos ruivos e muito bonita e com um vestido branco subir as escadas para o terceiro andar. Dona Cecília a seguiu e chamou por ela mas não obteve resposta, quando virou um corredor ela já havia sumido. Foi a única vez que viu essa mulher, porém ela acredita que seja um fantasma ou como queira chamar. Porém toda lenda vai sendo mudada durante os anos e hoje todos os alunos têm medo de ir ao banheiro sozinho, principalmente as meninas, pois dizem que essa mulher misteriosa se encontra por lá. Hoje dia 02/11/04 escrevo esse texto, sabemos que é feriado, dia de Finados. Ninguém trabalha na escola hoje, porém quando passei de carro agora a noite, em frente vi uma janela aberta no térreo, e olhei com muita atenção, então pedi para minha mãe diminuir a velocidade e nós vimos uma pessoa olhando da janela, apenas uma silhueta. Saimos logo dali, mas eu nunca mais irei esquecer do dia de hoje. Meu bisavô que dizia, sempre: em uma lenda sempre existe um fundo de verdade. Contei aqui uma história, e convido todos que moram aqui por perto que venham conhecer o túmulo de Maria e o próprio Instituto. Até logo, e obrigado pela atenção.


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