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Matérias / Histórias Incríveis

Como nasce um monstro


Luiz Hasse

Enviado por Luiz Hasse em 8 de Maio de 2005. Escreva para o autor


Conheça a história de um serial killer e se surpreenda!

I

No ano de 1998, a polícia de uma grande cidade gaúcha invadiu um cativeiro de seqüestro localizado em um bairro humilde, onde um criminoso mantinha prisioneiro um menino de oito anos. Segundo a versão da polícia, o seqüestrador teria reagido e sido baleado em resposta, morrendo a caminho do hospital. Enterrados no porão da casa, foram encontrados os crânios de vinte e uma crianças, com idade entre sete e doze anos, o que pôs fim ao mistério do Caçador de Cabeças, um notório maníaco que alcançou muita fama nos jornais da época. O menino resgatado, única vítima sobrevivente, tem hoje quatorze anos, mudou de cidade e, aparentemente, é um garoto normal, saudável e totalmente (se isso é possível) recuperado do trauma.Poucos que convivem com ele atualmente sabem da história.

Foi encontrado, no cativeiro, um manuscrito de autoria indiscutível do Caçador de Cabeças, que conta sua suposta motivação. Ei-lo:

Juro que vou parar! Depois deste eu vou parar! Juro por Deus! Eu preciso parar, porque, se eu matar este e ficar tudo bem depois, eu posso começar a gostar!

Mas vamos pôr as coisas na devida ordem, antes de voltar a minhas divagações e explicar, mais importante do que o motivo que me levou a matar vinte e uma crianças que nada de mal fizeram em suas vidas contra mim ou contra qualquer um que eu conheça, o motivo pelo qual vou parar.

Hoje eu tenho um emprego razoável. Trabalho num escritório como digitador e arquivista. Um emprego bom para meu caráter, pois sempre fui organizado e metódico, e, já que o escritório é de uma empresa de bom porte e eu não lido com o público, é o tipo de emprego em que a gente pode se tornar invisível. Talvez eu pudesse ter alcançado mais sucesso em outra área, até ser rico, não sei, mas o fato é que pode ser, pode ser, eu repito, que a intuição tenha me feito escolher justamente uma função em que é difícil lembrar da gente. Isso é muito útil no meu ramo.
Que ramo? Assassino de crianças? É. Mais ou menos isso. Mais ou menos...

Tudo começou quando eu tinha dez anos de idade, eu tive uma infância feliz, normal, brincadeiras, amigos, pais amorosos e uma educação responsável, apesar da pobreza em que vivíamos, que muitas vezes justifica, teoricamente, a delinqüência e o crime. Não sofri nenhum tipo de abuso mais grave do que um ou dois tapas em algumas vezes em que passei dos limites e não me retratei. Nem de meus pais, nem de ninguém. Não fui superprotegido e nem reprimido. Quem quiser buscar alguma explicação para meus atos vai ter a única opção de ler isto e acreditar em mim. A psicanálise não vai funcionar aqui.

Quando eu tinha dez anos, eu tinha um amigo, ele se chamava Duda. Ele não era só um amigo, mas, cara, era o meu melhor amigo! Sabe, quando você tem essa idade, seja garoto ou garota, você tem o costume de ter uma espécie de “duplo”, uma alma gêmea, alguém que o acompanha e com o qual se identifica em tudo. Os líderes naturais e heróis de uma turma de crianças são cercados de “súditos”, mas não se relacionam profundamente com nenhum deles. Os rejeitados e desajustados de verdade não têm amigos e, na verdade, não sabem tê-los ou não se preocupam com isso. Acho que a maioria dos “normais”, se é que existe normalidade nesta vida, possui vários conhecidos e um amigo de verdade. Sem seguidores e sem isolamento. Ambas as coisas são, na verdade, igualmente solitárias.

E eu e Duda fazíamos tudo juntos. Tudo mesmo. Trabalhos na sala de aula, aprontar para as meninas, brigas com outros meninos, sempre estávamos no mesmo time de futebol com os outros meninos nas horas de folga ou educação física. Às vezes parece que esse tipo de intimidade que se tem aos dez anos de idade com o melhor amigo um homem nunca vai ter nem com sua esposa. É claro que eu nunca fui casado e não posso saber, mas... bem, não importa. Prossigamos.

Acho que talvez tenha sido essa intimidade a culpada. Ninguém sabe realmente como essas coisas funcionam, e quem diz que sabe é pretensioso, cético, mentiroso ou louco. Eu também não sei, mas pode ter sido isso. Na noite em que ele dormiu em minha casa, após um dia de brincadeiras na rua, e um começo de noite de jogos de tabuleiro e conversas sobre o futuro. Tão comuns e cheias de esperanças naquele tempo.

Dormimos lado a lado. E eu tive um sonho. Na verdade um pesadelo.

...continua...

26 Comentários para "Como nasce um monstro". Deixe o seu

  • Regis Regis | 28 de Março de 2006

    Olha, incrível essa História. Agora uma pessoa com um dom tão importante para a sociedade deveria, ao invês de matar crianças pelo que se transformarão, tyer uyma profissão como educador ou outra que trabalharia o desenvolvimento da criança. Matar não é a solução, como pôde ser comprovado, mas sempre tem outras maneiras... Resolver os problemas da comunidade ou outro lugar qualquer, requer muita sabedoria e o pouco que é nos dado é suficente para participaçõ de todos, aos que é concedido um pouco mais, como no caso acima, resta o discernimento para usá- lo bem a favor de si próprio em conjunção com todos em redor. Por fim, acredito que cada um de nós nascemos com defeitos, talvez dos mais horríveis, mas sempre possibilitados a eliminá-los de nossas vidas... Parabéns ao criador da história e continue assim que irá longe.

  • Roberta Roberta | 21 de Outubro de 2005

    Achei ótimo o texto. Melhor ainda se tudo isso fosse real. Acredito q, apesar de todos julgarem q crianças são seres inocentes, elas se tornarão adultos, e muitas vezes cruéis. E, como diz o ditado, melhor cortar o mal pela raiz..... e logo! Se existissem mais pessoas com essas visões e acabassem com os futuros torturadores, estupradores, vadias q atazanam a família de homens bem casados, torturam filhos e esposaa; políticos corruptos, enfim, adultos criminosos, membros da liga do mal e q ainda sentem prazer em ser assim. Eu sou totalmente a favor da morte e extremínio de pessoas ruins e q, em qualquer época da vida, causam o mal e sofrimento de outras pessoas por muito tempo. Ás vezes, essas pessoas destroem a paz e harmonia de um lar, de famílias inteiras de boas pessoas, de uma população inteira..... Sou a favor de ficarem apenas pessoas normais, como eu, na face da Terra. Se eu não fosse normal e tivesse a coragem de matar todas as pessoas ruins desta cidade, já teria feito. Falta um pouco da loucura e de perder o medo de ser presa. Medo de morrer eu naum tenho, mas naum gostaria de passar nem um dia presa por atos q naum são crimes. Pelo contrário, eu estaria eliminando esses criminosos e ajudando a comunidade a se livrar desses vermes, como o cara do texto. Q esse texto sirva de inspiração para as pessoas q pensam como eu. Mas ainda naum criei coragem suficiente para eliminar uma pessoa q merecia ter cruzado o caminho do Caçador de Cabeças. Assim, naum estaria fazendo o mal q anda fazendo hoje....

  • Lara Lara | 4 de Agosto de 2005

    Estória brilhante!

  • ANGEL ANGEL | 26 de Junho de 2005

    achei essa historia meio doentia, um homem q coleciona cranios!acredito,mas qual a razao dele fazer isso?

  • Luiz H. Luiz H. | 24 de Junho de 2005

    Obrigado a todos que me prestigiaram, é óbvio que tenho fontes de inspiração - ninguém escreve uma boa história a partir do nada - e também aos que criticaram, não se acha o caminho das pedras sem umas pedras no caminho, correto? Mas o importante, é o que diz Tim Burton no "Big Fish" - Uma história não precisa ser verdadeira... ela só precisa ser boa! - Resumindo: não tenho nada contra crianças, não ligo a mínima pra cor da pele dos outros... no dia em que os Homenzinhos Verdes do Espaço atacarem a Terra... a última coisa que eu vou pensar, diante dos raios de calor e bombas de fumaça negra química... é na cor de sua pele. Abração a todos.

  • Anderson Anderson | 12 de Junho de 2005

    Parabéns adorei, muito bem escrito!

  • Gladis Gladis | 8 de Junho de 2005

    Boa estória. Mesmo assim, suponhamos que seja na prática... boa desculpa não é? A diferença dos que realmente matam (com motivo ou não) para os que não matam. Enfim, santificaremos Hitler, perdoaremos o Holocausto, a Santa Inquisição, os mercadores de escravos, os malfeitores dos índios...tudo porque eles tem uma desculpa e isso serve.. ou não?

  • André André | 8 de Junho de 2005

    Acho que é uma história muito interessante

  • Gabriel Mandu DM Gabriel Mandu DM | 7 de Junho de 2005

    Excelente história...!!!

  • valéria valéria | 6 de Junho de 2005

    Nossa esta história foi uma das mais incriveis que já li,infelizmente existem pessoas que cometem estas atrocidades,cada dia mais e mais,e como conta na história nem sempre sofreram abusos na infancia.

  • Eu Eu | 6 de Junho de 2005

    Aff...historia mto macabra e o final...comose a historia fosse comecar denovo Otima historia...

  • Pâmela Pâmela | 2 de Junho de 2005

    Hey pessoa...Apesar de não publicarem minhas opinioes...sei que vcs elem todas... Não faço nenhuma questão... Porem não querendo ser chata...mais jah sendo... Não teria como vc atualizar sua coluna diariamente? Como minha vida está se resumindo em trabalho...estudo (sucks)...e o mundo virtual... Passo mais tempo no virtual doq no real... então passo aki diariamente varias vezes por dia.. e gostaria de ler com mais frequencia... Ah..sobre o texto, está muito bom, bem colocado e talz... porem jah falei de mais e tenho mais oq fazer... Vlw a paciencia de ler isso ateh o fim... Gothic Kisses

  • Digite seu nome! Digite seu nome! | 31 de Maio de 2005

    Que monstro, realmente !!!!

  • (¯`·._.·¤þåµel夷._.·´¯) (¯`·._.·¤þåµel夷._.·´¯) | 29 de Maio de 2005

    Hey pessoa..jah estah na hora de atualizar não axa ~~.. eu estou curiosa ehmm...

  • Lilith Lilith | 29 de Maio de 2005

    Como estão demorando pra concluir essa matéria. Pessoal do Sobrenatural, já mandei várias contribuições pro site que não foram publicadas. Qual é o problema?

  • Bruno Bruno | 27 de Maio de 2005

    Achei interessante...mais cade a segunda parte?

  • Gladis Gladis | 25 de Maio de 2005

    São ESCOLHAS. Temos o livre arbítrio de fazer escolhas quando estamos indignados ou não concordamos com algo. A do BEM e a do MAL.

  • A Fada A Fada | 20 de Maio de 2005

    Se esses manuscritos forem mesmo verdadeiros, é realmente assustador saber que um monstro pode ser tão inteligente e articulado. Isso significa que um desses aí pode estar bem próximo de nós (no trabalho, na faculdade, na vizinhança) e nós nem percebemos. Vai ver temos um dentro de casa e não sabemos...

  • www.flogao.com.br/morbida www.flogao.com.br/morbida | 19 de Maio de 2005

    Pow achei legal e tal...mais esta muito curta... a primeira parte estava mais comprida...ambas boas...e ainda estou curiosa para ler o resto....ve se não demora para colocar aki hehe.... Gothic Kisses

  • Israel Daniel Barros Israel Daniel Barros | 19 de Maio de 2005

    "Eu e Duda fomos grandes amigos pelo próximo ano, mas, com o tempo e aparentemente sem explicação, fomos nos afastando, como normalmente acontece com grandes amigos nesta idade. Até que um dia ele se tornou só uma lembrança difusa, vaga, e um rosto visto de vez em quando nos corredores da escola de meu bairro. Depois nem isso, abandonou a escola. Só muito mais tarde é que eu fui descobrir que, no começo de sua adolescência, ele começou a ter problemas com drogas e conflitos na família. Eu sabia que o pai dele não prestava, e que a mãe era indiferente, mas não imaginava que a coisa fosse chegar ao ponto que chegou." Você está falando exatamente a fala de uma filme famoso meio antigo do qual numlembro o nome agora, fala da estoria de 4 garotos que saiam para procurar um corpo de outro garoto que tinha morrido atropelado por um tren, num é?

  • Poliana Poliana | 17 de Maio de 2005

    É a primeira vez na minha vida em que eu espero a segunda parte de alguma historia em um site.Muito boa mesmo.tomara que a terceira parte seja publicada logo.

  • gui gui | 16 de Maio de 2005

    cade a segunda parte???????????????????

  • Digite seu nome! Digite seu nome! | 15 de Maio de 2005

    essa eh a segunda parte. vão contando de parte em parte.

  • Gustavo Beaver Gustavo Beaver | 15 de Maio de 2005

    mto bom, Luiz!! espero q o resto continue assim... um conto q prende a atenção, nos deixa ansiosos pra saber o q vem depois... Abraço BEAVER

  • Ney Ney | 13 de Maio de 2005

    Muito bom Ogro,conseguiu o que tu queria,deixar o leitor esperando a continuação.Fico legal,achei massa,só achei um pouco curta,mas fico boa.

  • priscilla priscilla | 11 de Maio de 2005

    e a segunda parte???? eh aqui mesmo no site, tem que comprar o livro...??? por favor me respondam, pois estou curiosissima e adorei essa materia.. beijosss!! pri

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