Antes de começar, parabéns a este excelente site, que considero um dos melhores do país no assunto, e, mais importante, de público sério, o que me motivou a enviar meu relato. Nele, por razões de privacidade e segurança, omitirei os nomes de pessoas e lugares relacionados ao mesmo, usando abreviações se necessário.
Resolvi, para conforto dos leitores, dividir meu Relato em 3 Partes.
Esta 1ª narra apenas os eventos mais sutis e racionalmente aceitáveis do ocorrido...
Aqui em minha cidade, há uma fazenda na margem de um belo lago, limpo e próprio para se nadar. O fato é que o local, embora particular, é muito procurado por jovens em fins-de-semana. O proprietário não se importa, desde que eles vão em grupos pequenos, pedindo sua permissão para nadar ao chegar e avise a data de sua vinda, e com a promessa de não se faça bagunça; sua casa fica na margem a cerca de 200 metros à direita da clareira onde os visitantes ficam, e dali ele pode ver quase tudo o que acontece lá.
Eu não conhecia o lugar, tampouco dois de meus amigos, mas E., outro amigo, já havia estado lá e nos guiaria. Combinamos de ir até lá no dia seguinte. Pernoitamos todos em sua casa, e partimos de manhã.
Após horas de caminhada através do mato (ninguém tinha carro), chegamos ao que nos pareceu o proverbial oásis salvador, especialmente naquele momento de exaustão.
O proprietário não parecia estar em casa, e com E. dizendo estar tudo bem, que aquele não se importaria com nossa presença no lago, caso nos visse. Paramos na clareira. Comemos, esperamos algum tempo devido ao cansaço e digestão, e então, claro, mostramos a que viemos: mergulhamos no lago!
Estávamos nadando, mergulhando uns peixinhos em copos de vinho, bebendo, conversando, enfim, um sábado provinciano dos mais típicos. Tudo normal, até quando eu mergulho, e, num impulso irracional, toco no fundo do lago (a uns 5 metros da superfície) e sinto um objeto frio e curvo, que, imediatamente, não sei explicar como, reconheço ser um revólver. Venho à tona com a arma empunhada, pretendendo assustar meus amigos, exclamando "Mãos na cabeça, cambada!" e atirando (nota: também "sabia" que ela estava descarregada). Eles riem, perguntando, embasbacados, como eu tinha conseguido trazer e esconder a arma sem que vissem. Digo te-la encontrado no fundo do lago, e então me "toco". Viro e olho para a casa do outro lado. Ninguém à vista.
Voltamos à margem e ficamos brincando com a arma (uma S&W .38, 6 balas, totalmente oxidada), até o cão quebrar. Então já ia anoitecendo, e, acabada a excitação do achado, começamos a raciocinar. Muito estranho eu encontra-la assim, sem estar procurando por nada, mas isso era o menos importante.
O importante era o porquê da arma estar jogada assim no lago, descarregada e com o nº de série removido. O consenso era que a arma provavelmente fora o instrumento de um homicídio, e aquele fora o lugar escolhido pelo assassino para livrar-se dela...
Fim da 1ª Parte