Este fenômeno ocorreu aproximadamente entre 1975 à 1977 -não tenho certeza absoluta do ano, nem meu pai lembra direito. Minha tia, irmã de meu pai, morava em um sitio em uma cidade no interior aqui do RS, chamada Glorinha, cidade rural. Era um local muito bonito. Uma casa antiga, que já fora dos sogros dela, com galpão, galinheiros, chiqueiros, poço cavado, e amplo local para plantação. Um pouco distante da casa, em meio a um campo aberto, havia uma figueira centenária. Árvore robusta e imponente,onde aproximadamente seis a oito adultos de mãos dadas eram necessários para abraça-la. Seus galhos mais baixos, quase encostavam no chão, com um comprimento - calculo eu hoje - de aproximadamente três metros. Eu e meus primos, que na época tinhamos quase a mesma idade - entre sete e nove anos - adorávamos brincar em volta da árvore, e subirmos em seus galhos mais baixos. Certa vez, estávamos brincando de caçadores de monstros, e usavamos pedaços de madeiras como espadas. Como os galhos da figueira eram baixos, longos, e muito ramificados, idealizamos ela como um monstro gigante de vários braços, e passamos a atacá-la com nossas espadas. Não chegamos a causar cortes no tronco da árvore, nem chegava a marcar a casta, apenas batíamos com as madeiras. Até que certo momento, uma prima - estávamos em cinco - chamou-nos a atenção de que a árvore estária sangrando. Olhamos para o tronco e realmente, escorria do mesmo três fios de um líquido vermelho grosso, tal qual sangue. Porém, de onde escorria o fluido, não havia sequer corte na casca, e estáva em um ponto, mais alto do que o local em que nós batíamos. Ficamos impressionados. Após uns cinco minutos, creio eu, parou de correr o "sangue", e logo foi secando o líquido escorrido no tronco, ficando uma leve mancha no local. Meu primo mais velho, para tirar a dúvida voltou a bater na árvore com a medeira. Após várias pauladas, novamente a figueira volta a sangrar. Corremos até à casa e chamamos meu pai e o meu tio. Quando eles chegaram já havia secado o sangue, então, começamos a bater na árvore e, ocorre pela terceira vez o fenômeno. Na hora eles acreditavam se tratar da seiva mas, no local em que a mesma corria não havia cortes, nem nós da medeira, além disso, a seiva da figueira não é vermelha, é clara. Lembro que meu pai molhou a ponta do dedo no liquido e cheirou, mas não sentiu cheiro algum. Meu tio ficou impressionado e pediu para não brincarmos mais ali, disse-nos, no momento que poderia ser venenoso. Disse-me meu pai, - muitos anos depois, quando eu tinha uns quinze anos - que meu tio, duas semanas após esse fato, derrubou a figueira, e cortou-a em, varios tocos de madeira, e que em nenhum corte escorreu seiva vermelha, apenas a clarinha, depois queimou toda a medeira. Como resposta a meu pai , do porquê disso, ele revelou que seu avô, em um momento de loucura, havia se enforcado naquela árvore, e que após isso , tinha noites que via-se de longe bolas de fogo percorrerem o ár próximo a árvore (fogo-fátuo), e que seu pai - naquela época já falecido - dizia que via o vulto de seu avô , sentado embaixo da figueira, em alguns fins de tarde. Então ele considera a árvore amaldiçoada, e antes que ela atraíse mais alguém para a morte, ele preferiu acabar com ela.